Novo Robocop: ação e inteligência na medida certa

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sábado, 24 de maio de 2014

 “Você não é você por causa das pernas, dos braços ou das mãos. Você é você por causa do seu cérebro. É a capacidade de processar informações que faz de você quem você é”. Essa frase, dita logo no início do filme, resume bem o remake Robocop (2014) dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite e Última Parada 174) e roteiro do iniciante Joshua Zetumer.

Robocop não é mais um filme de explosões e exageros do início ao fim. Padilha faz várias reflexões na película sobre o existencialismo, ou seja, de que o indivíduo é o único responsável em dar sentido à sua vida; sobre uma política estadunidense de desconfiança da capacidade de robôs (drones) de diferenciar o bem do mal, por não possuírem sentimentos. A lei de rejeição é encabeçada por 72% da população e o Senado é contra a aprovação de revogação.

É neste cenário, no ano de 2028, que entra a OMNI Corporation, uma mega-empresa que domina o mundo com o sistema de segurança por drones, menos os Estados Unidos. Para conseguir o mercado do seu país, o proprietário da organização, o ambicioso e milionário Raymond Sellars (Michael Keaton) manda o seu cientista (Gary oldman) criar uma máquina que tivesse sentimentos.

Para o projeto dar certo, caiu como uma luva o atentado que sofreu Alex Murphy, um policial da cidade de Detroit, interpretado por Joel Kinnaman, durante a investigação de um esquema de corrupção policial. Entre a vida e a morte a sua família autoriza que ele seja a cobaia. Nasce aí o híbrido de homem e máquina, o Robocop.

O longa condensa boas cenas de ação com o uso das tecnologias da época sem perder de vista o filme original de 1987. O som do caminhar do “policial do futuro” e a armadura prata são exemplos que nos fazem viajar ao passado. A armadura preta, por sua vez, e o capacete com o visor vermelho, não nos deixa enganar quanto ao presente do novo longa. O drama é constante, já que os sentimentos de Alex Murphy, com relação ao atentado que sofre, a distância da família, bem como os diálogos entre criatura e criador sobre a existência, tomam conta de boa parte do filme, no entanto, a dose é certeira e esse é um ponto positivo a se destacar.

É bastante presente também na película a força dos meios de comunicação para decidir os rumos de um país e como eles são movidos quando há jogo de interesses entre estes e grandes corporações. Samuel L. Jackson conseguiu dar o toque de humor e seriedade ao filme ao interpretar o papel de apresentador do programa jornalístico que faz pressão sobre a política dos EUA contra os drones e robôs. Lembra o apresentador do sensacionalista programa de Tropa de Elite.

O diretor brasileiro foi ousado e corajoso ao dirigir uma refilmagem à altura de Robocop, que podemos chamar de um clássico do cinema das décadas de 1980 e 1990. Ele se saiu muito bem e conseguiu fazer um filme reflexivo que bebe do seu original, mas se aproveitando do que o futuro tem de melhor a oferecer (tecnologias). O novo Robocop é um filme que superou minhas expectativas e eu já espero a continuação. Vale a pena assistir.




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