"É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil"

1. Não mergulhe de cabeça no mar de conhecimento, mas tente chegar a ele através de córregos menores. É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil. Este é o meu primeiro conselho e você faria bem em segui-lo.

2. Seja lento para falar…

3. Dê grande importância a uma boa consciência.

4. Nunca negligencie os momentos de oração.

5. Mostre-se amável para com todos.

6. Nunca meta o nariz nos assuntos dos outros.

7. Não seja excessivamente íntimo dos outros, porque a familiaridade excessiva gera desprezo e fornece pretextos para negligenciar o trabalho sério.

8. Não perca tempo em conversas fúteis.

9. Tente seguir as pegadas dos homens honestos e santos.

10. Não repare tanto em quem fala, mas acumule na mente o que ele diz de útil.

11. Certifique-se de entender bem o que você lê e escuta.

12. Esclareça os pontos em dúvida.

13. Dê o seu melhor para guardar tudo o que puder na pequena biblioteca da sua mente.

14. Não se preocupe com as coisas que estão fora da sua competência. Se você seguir os meus conselhos, vai atingir a meta desejada.

São Tomás de Aquino, 1270.




O mal de proporções gigantescas que se abate sobre os refugiados é consequência da política desastrosa dos nossos países. Quem irá resolver?


Vergonha, vergonha, vergonha.


“Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”.

As palavras acima correspondem ao número 2 da Carta Encíclica do papa Francisco, Laudato Si (sobre o cuidado da casa comum) lançada em todo o mundo no dia 18 de junho. Tem tudo a ver com as crises existenciais por que passa a humanidade. Que crises são essas? Não conseguimos mais medir as consequências do mal ao próximo; da violência contra a humanidade e a natureza e nem sequer conhecer o nosso vizinho. Caminhamos para um caminho sem volta, nos canibalizamos e voltamos a ser bárbaros. Os meios de comunicação em nossas mãos são armas potentes, prontas a destruir a imagem de quem quer que seja – não importa se o dono da imagem está morto ou doente. Onde está o sentido da vida em nossos dias?

Como bem escreve o papa em sua encíclica, “a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços” (nº 1), mas onde está esse cuidado? Se a casa é de todos, por que uma criança é obrigada a deixar o seu país de origem em busca de sobrevivência em um continente do outro lado do mundo e na viagem perde a vida? Se a casa é comum, por que todos nós não convivemos como irmãos? Já não há partilha, a terra não é mais nossa mãe, nem nossa irmã. Os fatos nos fazem questionar. As pessoas engolem-se todos os dias em busca de lucros, uma posição de destaque na sociedade e países atacam-se com armas. Armam-se também contra a sua própria população com a munição dos impostos que destrói a nossa capacidade de viver livres nos braços da mãe terra.



Imagens da (des) humanidade

As duas imagens acima estão correndo os jornais e redes sociais em todo o mundo. A obra esculpida na areia da praia de Puri, na Índia, dispensa comentários. O artista indiano Sudarsan Pattnaik retrata o pequeno Aylan Kurdi que morreu afogado quando ele e a família fugiam das atrocidades causadas pelo grupo que se autointitula Estado Islâmico, na Síria. A família tentavam atravessar de barco da Turquia para a Grécia nesta quarta-feira (2). O destino final seria o Canadá onde moram parentes.

Na segunda imagem, uma criança disputa espaço com adultos, durante distribuição de alimentos, em frente à estação ferroviária Keleti, em Budapeste, na Hungria. A foto é de Frank Augstein. Temos tanto, mas nossa incapacidade de viver como irmãos a partilha do amor nos afasta do propósito final imaginado por Deus. Precisamos urgentemente reconhecer que todos juntos somos responsáveis pelos danos que vem maltratando o planeta, desfigurando e destruindo a nossa casa comum que um dia, se assim continuar, não será mais habitável.



Acabei de assistir à temporada piloto de Demolidor (Daredevil) na Netflix, primeira parceria deste serviço de transmissão de conteúdo sob demanda e a Marvel. Antes de tudo é preciso destacar que os tempos são outros, a internet se mostra cada vez mais indispensável ao entretenimento e a sua força cresce com o investimento e o trabalho sério de empresas como a Netflix. O exemplo está na série sobre a qual eu escrevo. Bom, mas esse assunto fica para outro artigo.

Há muito a se falar sobre os 13 primeiros capítulos da série. Eu, porém, vou me ater apenas sobre o lado humano, religioso e racional, de Mattew Murdock (Charlie Cox). Apesar de o slogan de Demolidor ser “O homem sem medo”, o católico Matt expressa suas fragilidades e as confessa ao padre Lantom (Peter McRobbie) ao longo dos episódios.

O advogado, que cresceu cego após salvar ainda criança um homem de um acidente automobilístico e ter a visão perdida devido a um produto químico cair em seus olhos, é temente a Deus a ponto de em todos os capítulos conversar com o padre. Nos encontros e confissões, diálogos filosóficos e teológicos são travados. O melhor deles no capítulo 9 em que Matt, perturbado, questiona o sacerdote sobre a existência do diabo. O padre torna uma resposta complexa, simples e entendível.

Confira: 

Padre Lantom: Como um conceito?

Matt: Não. Acredita que ele exista? Neste mundo, entre nós.

Padre Lantom: Quer a resposta curta ou a longa?

Matt: Apenas a verdade.

Padre Lantom: Quando eu estava no seminário, eu era mais estudioso que devoto, mais cético que a maioria dos meus colegas. Eu tinha essa noção, eu estava disposto a falar a respeito, em detalhes, com quem eu pudesse encurralar, que o diabo era inconsequente. Uma figura menor no esquema geral das coisas.

Matt: Pouco católico.

Padre Lantom: É. Em minha defesa, nas escrituras, a palavra hebraica “Satanás” significa “adversário”. É aplicada a qualquer antagonista. Anjos e humanos, serpentes e reis. Teólogos medievais reinterpretaram essas passagens sendo sobre um único inimigo monstruoso. E, em meu zelo da juventude, eu tinha certeza do porquê. Propaganda. Criada para levar o povo à Igreja.

Matt: Não acredita que exista.

Padre Lantom: Terminei de falar?

Matt: Desculpe.

Padre Lantom: Anos depois, eu estava em Ruanda, ajudando igrejas locais providenciando santuário e amparo a refugiados. Eu fiquei amigo do ancião da aldeia, Gahiji. Ele e sua família tinham o respeito de todos, hutu e tutsi. Ele ajudava a todos através de penúria, doença. A milícia gostava de forçar os hutus a matar os vizinhos com facões. Mas ninguém erguia a mão contra Gahiji. Eles diziam: “como podemos matar um homem santo?”. Então o comandante da milícia enviou soldados para cortar a sua cabeça diante de toda a aldeia. Gahiji nem tentou lutar. Apenas pediu uma chance de se despedir da família. Quando ele terminou, nem os soldados queriam matá-lo. Então pediram ao comandante se podiam atirar nele. Seria uma morte rápida. O comandante quis conhecer esse homem, que ganhou o respeito de tantos. Ele foi até Gahiji, falou com ele em sua cabana por muitas horas, e então o arrastou para fora na frente de todos e o destroçou junto com toda a sua família. Naquele homem que tirou a vida de Gahiji eu vi o diabo. Então, sim, Mattew, eu acredito que ele ande entre nós, tomando muitas formas.

Matt: E se você pudesse impedi-lo de machucar os outros novamente?

Padre Lantom: Impedi-lo como?

Mattew faz a pergunta por que está diante de um homem tão forte e poderoso que domina tudo e todos. Por isso ele compara o seu inimigo ao "diabo" em sua batalha contra o crime no bairro de Hell’s Kichen, em Nova York, mas teme pela perda da salvação de sua alma caso aja com as próprias mãos contra o mal. A lei, nessa altura, não chega a ser indispensável, mas precisa de uma "maozona" justiceira para obter êxito. Com a pergunta “e se você pudesse impedi-lo de machucar os outros novamente?” Matt gostaria de ouvir do reverendo Lantom que combater a violência e as injustiças com mais violência seria uma opção e um meio cristão para se alcançar o bem, mas ouve apenas uma resposta com outra pergunta: “impedi-lo como?”.

Em Demolidor, primeira temporada, religião e racional se confundem e o campo das ideias está presente na maioria dos diálogos, fato que torna a série mais realista. De Matt pode-se tirar a determinação para combater o mal; a coragem; a fé. Do ponto de vista cristão, ele faz a sua escolha e decide arriscar a salvação da sua alma pela vida do próximo - a população de Hell’s Kichen. Não é isso que Deus espera de nós? Doar a vida e até a alma pelos irmãos? Matt não é um salvador do mundo como costumamos ver em praticamente todos os super-heróis, mas um homem com capacidades sobrenaturais e audição aguçada pela falta de visão que ajuda os vizinhos, as pessoas que viu crescer e envelhecer. Partir para a violência, decisão anticristã ou não, predominou o livre arbítrio.

Atuações 

Por fim, não poderia deixar de citar a excelente atuação do elenco. Destaque para o britânico Charlie Cox como Demolidor com sua seriedade e serenidade dá uma pegada curiosa e cheia de suspense ao protagonista e o sócio advogado Foggy Nelson (Elden Henson) que dá o tom cômico à série sem exageros e esforço e o inimigo Wilson Fisk (Vicente D’Onofrio) que, como o personagem dos quadrinhos, dá medo só de olhar.


Qual a importância das assessorias de comunicação no vasto mundo das organizações sociais? E nos dias de hoje em que todos são produtores de conteúdo, graças às novas tecnologias? Pontos importantes a serem refletidos. O papel fundamental das organizações do terceiro setor (sindicatos, movimentos sociais, associações, pastorais) é dialogar com a sociedade e a linha tênue que separa e/ou une esses dois campos está na comunicação mediada pelos mass media. A partir do apresentado é fácil constatar que as assessorias de comunicação têm muito trabalho a desenvolver.

O Movimento Sem Terra (MST) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), por exemplo, entenderam ainda na década de 1980 que esse diálogo com a sociedade a partir da presença na mídia, por meio de artigos, releases, coletivas de imprensa, e tantos outros produtos das assessorias de comunicação, poderiam fazer a diferença, e fez.

O MST, hoje, é uma organização conhecida mundialmente. O mesmo pode-se dizer da CPT que anualmente tem seus relatórios sobre pequenas propriedades rurais e grandes latifúndios divulgados em toda a imprensa – graças a um trabalho planejado para os públicos que se deseja atingir.

Por tudo isso é que se pode afirmar que os assessores de comunicação e consequentemente o seu trabalho são cruciais para potencializar os objetivos pretendidos no seio da sociedade. Se o papel das organizações sociais é entendido a partir do serviço das assessorias, tem-se aí um passo dado para a instituição apresentar-se de maneira eficiente à opinião pública.

Com relação às novas tecnologias, os processos de comunicação têm se renovado e se reinventado, de modo que todas as pessoas munidas de dispositivos móveis participam desse fazer. Esse ambiente mediado a partir de tablets, notebooks, smartphones, interligados pela internet, estreitam dia a dia as relações e se configuram como desafiantes aos profissionais da comunicação.

As assessorias de comunicação, nesse ambiente novo, têm papel importante e indispensável porque já não há emissões e receptores apenas, em espaços definidos como há poucos anos. Hoje, todos são produtores de conteúdo e as assessorias de comunicação, caso não planejem os fluxos de comunicação para os diversos públicos, internos e externos das empresas, estão fadados a não servirem para o papel a que são designadas: evidenciar as instituições e empresas em que atuam. Evidenciar lê-se também participar das estratégias administrativas da organização de maneia que a mensagem atinja os objetivos propostos. Nesse sentido, as novas tecnologias são aliadas.

Por outro lado, se o agir estratégico não for planejado, as assessorias de comunicação correm o sério risco de serem engolidas pelos diversos atores sociais em posse do poder de comunicar via redes sociais. Mais do que nunca, as assessorias de comunicação são pressionadas a mostrar a que vieram, para que sejam avaliadas como setores indispensáveis às instituições e empresas. Caso contrário, serão apenas meros espaços que apenas colaboram para inchar o financeiro. Em época de crise em todo o mudo, novas tecnologias e assessorias de comunicação podem ser decisivos para que os assessorados sejam vistos e reconhecidos pela opinião pública. Como? Transformando as novas tecnologias em ferramentas que dialogam com os diversos públicos. Estar fora desse ambiente é abrir mão de produtos comunicacionais que podem fazer a diferença para a sobrevivência das instituições, conforme alerta Jorge Duarte (2010).

Texto escrito para a prova de seleção da Pós-Graduação em Assessoria de Comunicação Empresarial e Institucional da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Pontuação alcançada: 8,5. Prova valia 9,5.



O Voo (2012) protagonizado por Denzel Washington (Whip Whitaker), e dirigido por Robert Zemeckis, o mesmo de Os Fantasmas de Scrooge, de 2009, é um longa, longo mesmo, de 2h18 minutos que mescla muito bem um roteiro de ação, suspense e drama. Os primeiros 40 minutos são uma viagem de tirar o fôlego com cenas que levam quem assiste ao interior do voo 227 da South Jet Air, dos Estados Unidos.

A história gira em torno de Whip, piloto de voos comerciais que enfrenta problemas com o uso de drogas e bebida alcoólica, além de estar separado da família. No voo SouthJet 227 de Orlando para Atlanta, nos EUA, tudo isso irá contribuir para a mal sucedida viagem.

O Voo é um filme que faz pensar sobre os limites do homem, sobre ética profissional, compromisso. Um conjunto de pontos negativos levaram ao ocorrido, mas até que ponto o piloto é o vilão ou herói? Ultimamente temos visto inúmeros acidentes aéreos com causas pouco ou nada divulgadas. Milhões de vidas são colocadas nas mãos de companhias aéreas e seus pilotos diariamente. Elas estão sendo valorizadas como merecem? As perguntas são inúmeras.

O Voo 227 termina com uma história que poderia ter continuidade: além da tragédia e seu desdobramento no tribunal, a redenção de um homem que reconhece as suas falhas e decide dar um basta nas atitudes que o levam a pôr em risco tantas vidas. A atuação de Denzel, principalmente nos momentos de pânico no voo e de êxtase com as drogas são pontos a serem considerados e elogiados. Recomendo o filme, desde que seja assistido num dia tranquilo sem ninguém para perturbar. Pois, afinal, não é todos os dias que gastamos mais de 2h com um único filme.