Em um futuro não muito distante, homens convivem com clones de humanos e de animais. O avanço da ciência possibilitou que grandes laboratórios pudessem desenvolver em questão de duas horas uma cópia idêntica, física e psicologicamente de pessoas. Já não se sabe mais quem é quem e a criação divina é ameaçada pela ambição de cientistas que buscam a vida eterna aqui na terra.

Mesmo sendo proibida, a clonagem humana acontece de maneira ilegal nos Estados Unidos. A história de ficção científica é contada pelo filme O 6º Dia, dirigido por Roger Spottiswoode, estrelado por Arnold Schwarzenegger, que interpreta o personagem Adam Gibson, que é clonado de maneira acidental. Quando ele percebe o que está acontecendo, já perdeu sua família e sua identidade para si mesmo.

A mensagem do filme é objetiva e entra diretamente na polêmica dos limites do homem diante da liberdade dada por Deus. “Estou apenas dando continuidade à evolução de onde Deus parou”, diz Michael Drucker (Tony Goldwin), proprietário de um laboratório de clonagem humana. Ele também já é um clone. Gibson (Schwarzenegger) trava a seguinte discussão com o cientista. “Você não pode me salvar. Não se salva nem a si mesmo. Todos temos de morrer um dia”. Drucker responde: “Não temos de morrer; ofereço-lhe a chance de viver para sempre sem envelhecer, perfeito, em todos os aspectos”, mas ao se deparar com a própria imagem, uma nova clonagem que não foi completada, vê um monstro no espelho. A imperfeição.

O tema polêmico é motivo de embate direto entre as religiões e a ciência. No filme, o homem é confrontado com sua liberdade e a sua fragilidade. O livre arbítrio tem por objetivo a busca do conhecimento para o bem da humanidade e esse fim é negado nos avanços da clonagem humana mostrados em O 6º Dia, já que o mundo estava se transformando em um caos.

O papa Bento XVI, em sua Carta Encíclica Spe Salvi, sobre “A esperança cristã”, exorta. “Quem prometesse o mundo melhor que duraria irrevogavelmente para sempre, faria uma promessa falsa; ignoraria a liberdade humana. A liberdade deve ser incessantemente conquistada para o bem”. O pensamento de Bento XVI sobre a ciência é positivo, mas ainda no documento ele explica que "a ciência pode contribuir muito para a humanização do mundo e dos povos. Mas pode também destruir o homem e o mundo, se não for orientada por forças  que se encontram fora dela".

"O 6º Dia", título tirado da Bíblia (Gn 1, 27), faz menção à criação perfeita de Deus que é o homem e do clone imperfeito do homem que pode trazer o caos para a humanidade.


A Vida é Bela (La Vita è Bella), filme italiano de 1997, dirigido e protagonizado por Roberto Benigni (Guido Orefice), do gênero comédia dramática, literalmente corresponde à proposta ousada do seu título. A história se passa a partir de 1939 na Itália de Mussolini que liderava os facistas. Era também o início da 2ª Guerra Mundial em que a Alemanha de Hitler comandava os nazistas e avançava sobre diversos países europeus.

Guido é um judeu solteiro que mora no campo. Ao se mudar para a cidade com o primo Eliseo Orefice (Giustino Durano), conhece a liberdade da cidade, aprende pequenas trapaças, encanta as mulheres com seu jeito brincalhão e inteligente de ser e conhece a perseguição que passaria a sofrer dali por diante os judeus pelos nazistas. Guido é a beleza da vida em pessoa; espécime raro que vive cada momento como se fosse o último e, para essa aventura da vida conquista para os seus braços,
Dora (Nicoletha Braschi) com quem tem um filho, Giosué Orefice (Giorgio Cantarini).

Levado para um campo de concentração com o filho, a esposa e demais familiares, Guido usa da esperteza das ruas para salvar sua família dos nazistas. Convence o pequeno Giosué, de apenas cinco anos, que estão ali participando de um jogo que tem como prêmio um tanque de guerra novinho. É o único trunfo que dispõe para preservar o filho dos horrores daquele lugar sombrio, sujo, desumano. Guido trabalha dia e noite, forçado pelos nazistas, mas não perde o humor para proteger o filho e sempre tem uma resposta para dar a Giosué, quando chega ao cativeiro no fim do dia.

Um clássico do cinema mundial, A Vida é Bela simboliza a vitória do bem sobre o mal, da fé sobre a dúvida, do amor sobre o ódio. O sacrifício de Guido foi válido, pois ele conseguiu a vitória prometida ao filho desde o início do “jogo”. Os mil pontos são alcançados e como que por um milagre, o pequeno Giosué sai ileso, fisicamente da guerra, mas com a memória marcada para sempre, sobretudo pelo amor, inteligência e coragem do pai. Raridade no cinema mundial, o clássico é um filme para rir e chorar ao mesmo tempo, feitos só alcançados graças às geniais atuações de Benigni e Cantarini, revestidas de um roteiro impecável: objetivo e ao mesmo tempo rico em detalhes de imagens e conteúdo.



Segundo São João Paulo II, “a liturgia e a vida são realidades indissociáveis. Uma liturgia que não tivesse reflexo na vida se tornaria vazia e certamente não agradável a Deus”. Com o rito do Batismo são gerados os novos filhos da Igreja (edição 46) e o cristão dá início a uma vida nova em Cristo Ressuscitado.

A partir do Batismo começa a missão do batizado. Se criança, cabe aos pais e padrinhos se comprometerem a educá-la na fé da Igreja. Se adulto, o único caminho é seguir Jesus (Jo 14,6) – independente se sacerdote, religiosa ou leigo. O dilema da Igreja é formar os fiéis para que eles entendam que abraçar o Sacramento implica assumir uma missão. O rito em si mesmo, portanto, sem reflexo na vida, de nada serve. “O fim último não é a celebração dos Sacramentos, mas a inserção da criança e da família na vida da comunidade. Com a consciência formada e apoiada pelos pais e padrinhos, essa criança continuará dando passos importantes em sua vivência cristã, na vida da comunidade”, explica o padre Paulo Afrânio, CP, administrador paroquial na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Balneário Meia Ponte.

Ao batizado cabe a missão de ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13), ou seja, o diferencial necessário para dar sabor à vida a partir do testemunho, da vivência do Evangelho e do seguimento de Cristo. De acordo com o padre Paulo Afrânio, “a primeira comunicação do cristão com o mundo é o seu testemunho de vida”, por isso, “devemos assimilar os mesmos sentimentos de Cristo, seus critérios de vida, para espelharmos, apesar dos nossos limites, as suas atitudes”. O padre ressalta, no entanto, que o seguimento a Cristo não sugere “imitá-lo”, como numa representação teatral, “mas Cristo deve tornar-se a nossa vida, para podermos dizer como São Paulo: ‘já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim’” (Gl 2,20).

A missão do batizado é complexa. O horizonte é vasto e cabe ao novo filho da Igreja assumir a marca que o tornou membro do corpo de Cristo. O desafio da Igreja, conforme o padre Paulo Afrânio, é colocar as pessoas em contato com Jesus Cristo, por isso é urgente desenvolver nas comunidades um processo de iniciação à vida cristã, que envolva as famílias e desperte nos católicos a vocação missionária. “O batizado é chamado a anunciar o amor do Pai que nos criou, denunciar as injustiças, a opressão, superando toda forma de egoísmo, violência e desrespeito à dignidade da pessoa humana”, enumera o padre. Isso só é possível, segundo ele, se o batizado (pais, padrinhos, adultos e crianças) assumir a vivência dos Sacramentos e da vida da comunidade.

Ainda segundo o padre, é importante lembrar que o Batismo dá todo um sentido e direção à nossa vida. “Agora depende de nós, de cada batizado, seguir o Caminho, aceitar a Verdade, viver a Vida: Jesus”.

Atividade Missionária

Segundo o Decreto Ad Gentes, a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária. Enviada por Cristo a fazer discípulos em todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto ele ordenou. O mandato de Cristo é uma prioridade para a Igreja, mas os missionários ainda são poucos, se comparados à quantidade de pessoas no mundo, mais de 7 bilhões, das quais, 70% ainda não foi evangelizada. Dados das Pontifícias Obras Missionárias (POM) dão conta de que os missionários brasileiros no exterior são cerca de 1.200. Não há informações sobre missionários estrangeiros no Brasil, mas se sabe que eles são mais do que os brasileiros além-fronteiras.

Ide vós também para a minha vinha (Mt 20,3-4) 

A parábola do Evangelho alerta para a vastidão da vinha do Senhor e a multidão de pessoas que existe nela. Os novos filhos da Igreja são convidados a anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro e a transformá-lo segundo os planos salvíficos de Deus. E como saber se já somos operários da vinha do Senhor? São Gregório Magno, ao pregar ao povo, comentava assim a parábola dos trabalhadores da vinha: “Considerais o vosso modo de viver, caríssimos irmãos, e vede se já sois trabalhadores do Senhor. Cada qual avalie o que faz e veja se trabalha na vinha do Senhor”.

Tira Dúvidas

O Batismo perde a validade caso o batizado não assuma sua identidade e missão de cristão?

O Batismo, bem como a Crisma e a Ordem, são ministrados uma só vez na vida, de acordo com o Cânon 845, Inciso 1, do Código de Direito Canônico, porque revestem o ser humano de Cristo (Gl 3,27), tornando-o membro de seu Corpo (1Cor 12,12-13), constituindo-o Povo de Deus. Esses Sacramentos imprimem na pessoa o que nós chamamos de “caráter sacramental”, isto é, uma “marca” para a vida toda, e para a eternidade. Por isso, só podem ser recebidos uma única vez. Sendo assim o batizado é um “marcado” por Cristo, em Cristo e para Cristo, e isso para toda a vida.  Quanto aos padrinhos, enquanto testemunhas do ato e enquanto corresponsáveis em tutelar a fé da criança batizada, a resposta da Igreja é: nem o Batismo válido pode ser excluído, nem os padrinhos.
(Padre Paulo Afrânio)


No Rito do Batismo são gerados os novos filhos da Igreja. Neste domingo em que Cristo venceu a morte e morte de cruz, em que a Igreja celebra a Páscoa do Senhor, coração da liturgia e da vida da comunidade católica, apresentamos o rito do Batismo. Mas por que no dia de hoje? Porque o Batismo e a Páscoa têm uma relação profunda que remonta ao início do Cristianismo. Nos primeiros séculos, as comunidades aguardavam a chegada da Páscoa para serem batizadas, mas, com o crescimento da Igreja, eles passaram a ser feitos nos domingos, páscoas semanais.

Que o Batismo é porta de entrada para os outros sacramentos, já sabemos (edição 45), mas é no rito que essa dimensão se torna clara. Nos ritos iniciais do Batismo, pais e padrinhos são recebidos em procissão pela comunidade, símbolo da sua entrada para a vida cristã. O ministro chama o batizando pelo nome e em seguida o acolhe perguntando aos pais e padrinhos o que eles pedem à Igreja de Deus ao seu filho; e a resposta deve ser “o Sacramento do Batismo”.

Segundo o monsenhor Luiz Lôbo, professor de teologia e mestre em Sacramentos, esse momento carregado de simbologia precisa ser entendido. “É na procissão de entrada que será acolhido um novo filho da Igreja e os pais e padrinhos precisam saber que o rito fala por si mesmo”. É no momento em que o ministro coloca água na cabeça do batizando que o novo cristão é gerado. “Batismo significa encharcado, para nós cristãos, é mergulhar no mistério pascal de Cristo, morrer para o pecado e ressuscitar para a vida nova”, explica.

O aspecto mais importante da liturgia do Batismo, porém, está na forma e na matéria desse Sacramento. “O símbolo principal do Batismo são as palavras pronunciadas pelo ministro da Igreja, ‘eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’, que é a forma; sem estas palavras não existe sacramento e a água vira uma matéria qualquer”, pontua o monsenhor Lôbo.

A pia batismal é o útero onde a mãe gera os seus filhos, por isso, o monsenhor alerta para o respeito que dever ser conferido ao ambiente do batistério. “Deve ser um lugar conservado, bem cuidado, bonito e de destaque na Igreja porque é um espaço sagrado onde renascemos em Cristo”. A simbologia de mergulhar na água aparece também na epiclese, quando o ministro invoca o Espírito Santo para santificar a água. “Neste momento o Círio Pascal é mergulhado e o ministro pede a força do Espírito Santo para que a água seja portadora da força de Cristo ressuscitado na pessoa que é batizada”.

A presença do Círio Pascal na cerimônia de Batismo lembra que este é um Sacramento que nos coloca em comunhão com o mistério pascal de Cristo. Esse ritual aparece também na liturgia da água, na Vigília Pascal, dia em que, nos primeiros idos da Igreja, os cristãos eram batizados, crismados e recebiam a primeira eucaristia.

Renúncia e profissão de fé

Aos pais e padrinhos, no caso do Batismo de crianças, cabe renovar as promessas batismais, renunciar a todas as forças do mal, aceitar Jesus como único salvador e assumir o compromisso de ajudar a criança a seguir Jesus Cristo, por isso, não faz sentido escolher padrinhos que não têm vivência cristã (edição 46). “Como os padrinhos vão ajudar a criança a seguir Jesus se ele não tem vivência? Isso tem que estar muito claro na Pastoral Batismal”, exorta monsenhor Luiz Lôbo. E na profissão de fé, pais e padrinhos e/ou o batizando, no caso de adulto, professam publicamente perante a Igreja a sua fé em Deus.

Perguntado sobre a importância que deve ser dado ao rito do Batismo, o monsenhor declarou que qualquer cobrança da Igreja, sem a devida formação dos pais e padrinhos é vã, já que só se descobre o valor do Sacramento a partir do conhecimento. “Nós só vamos valorizar o Batismo quando nós, adultos, pais e padrinhos, o padre, tivermos uma vivência cristã mais profunda; quando entendermos que os símbolos foram feitos para falarem por si mesmos como gestos do Cristo ressuscitado e quando for valorizado o Rito de Iniciação Cristã de Adultos (Rica), este que irá fortificar também a iniciação cristã dos adultos no Batismo, Eucaristia e Crisma”, sintetizou.

Símbolos do Batismo

Vela acesa – simboliza a atenção do cristão à espera do Senhor e que o batizado se torna luz para o mundo com o seu testemunho, sua vida, e sua maneira de viver a fé.
Sal – Se relaciona com a vela acesa e está ligado à passagem bíblica, “Vós sois o sal da terra (Mt 5,13). O cristão está no mundo para dar gosto, sentido e esperança.
Veste branca – vida nova do cristão batizado que é chamado conservá-la pura sem a mancha do pecado até a vida eterna. Os primeiros cristãos permaneciam com as vestes até o domingo seguinte com a missão de não deixá-la sujar para mostrar que conservavam a graça que receberam no Batismo.
Unção com óleo – A unção com o óleo do Crisma simboliza o sinal da verdadeira consagração a Deus que torna os batizandos participantes da missão profética, sacerdotal e real de Cristo, o ungido.

Tira-dúvidas

Por que nossos padres “renovados carismáticos” estão pregando uma desvalorização dos nossos Sacramentos e valorizando este Batismo do Espírito Santo? Se eu sou “Templo do Espírito Santo”, não preciso gritar, dançar, pular, mas só zelar do Templo para ser digna dele (Leni Bueno de Freitas, Parque Amazônia – Paróquia Cristo Ressuscitado)

Resposta: Estimada irmã. Antes de responder sua pergunta, torna-se necessário esclarecer alguns termos. Vejamos:

A) É ambíguo dizer padres carismáticos, ou isso ou aquilo. Todos são padres que estão atuando na Igreja; são padres católicos, em comunhão com a Igreja, com o nosso Bispo. Professam um só Batismo para a remissão dos pecados como rezamos no credo niceno  constantinopolitano.

B) A palavra  Batizar significa mergulhar, entrar de cheio, participar totalmente da realidade. É certo dizer que nós recebemos o Espírito Santo no Batismo. Desde os primeiros anos do Cristianismo, Batismo e Espírito Santo aparecem profundamente ligados. No Novo Testamento encontramos a expressão Batizar no Espírito Santo (Mt 3,11; Mc1,8; Lc 3,16; Jo 1,33; At 1,5;11,16).

Os dois elementos constitutivos do Batismo são água e Espírito, portanto, a dimensão do Espírito é uma peça chave na Teologia do Batismo. Não existe um segundo Batismo, mas quando falam em Batismo no Espírito, os nossos carismáticos falam de um reavivamento, de um acordar, de um maior vigor e aceitação, pela  conversão autêntica dos dons do Espírito Santo que estão presentes em nós, porque, de fato, somos o Templo do Espírito Santo. (Monsenhor Luiz Lôbo)

Fotos: Edmário e Caio Cézar


Os primeiros passos da criança batizada são conduzidos por pais e padrinhos que têm a responsabilidade de ensiná-la a viver o Evangelho nas diversas esferas da sociedade. O bom êxito desse processo depende de pessoas amadurecidas na fé. 

Na edição passada o Encontro Semanal abriu a série de reportagens sobre os Sacramentos, esclarecendo as principais dúvidas sobre o Batismo de crianças. Nesta, apresentamos a responsabilidade dos pais e padrinhos. O tempo é oportuno para abordar o assunto, pois estamos na última semana da Quaresma que, segundo o papa Francisco “é um tempo para nos aproximarmos de Cristo, por meio da Palavra de Deus e dos Sacramentos”.

A responsabilidade de pais e padrinhos, sem dúvida, é um dos principais aspectos a serem observados na Iniciação Cristã. Trata-se de um ponto decisivo na formação cristã. A Igreja exige cuidados e bastante atenção, sobretudo porque a criança, ao receber o Batismo, ainda não tem consciência formada e precisa de pessoas maduras na fé para garantir o bom êxito da sua caminhada cristã.
Por carregar a responsabilidade maior de educar os filhos na fé, os pais precisam ter consciência de requisitos indispensáveis antes de escolherem os padrinhos dos batizandos. Não é critério escolher somente pela amizade, ou por ser uma pessoa de posses, ou ainda aquele que poderá dar muitos presentes ao afilhado.

Segundo o padre Aurélio Vinhadele de Siqueira, administrador paroquial da Paróquia Cristo Rei em Aparecida de Goiânia, os pais escolhem padrinhos por critérios muito pequenos. Ele comenta as orientações da Igreja nesse processo. “É necessário escolher pessoas que tenham uma vida cristã; que participem da Santa Missa; se casadas, que tenham o Sacramento do Matrimônio; que deem testemunho da fé não só na Igreja, mas na sociedade”. Pais que não levam a sério essas exigências correm o sério risco de pôr a perder o processo de formação cristã das crianças. “Como padrinhos podem dar algo que não têm, aquilo que não cultivam?”, questiona. É uma questão de coerência.

Perfil dos padrinhos

Todos os dias nos preparamos para um novo desafio, uma nova experiência, momentos especiais, para seguir os caminhos necessários a fim de alcançar determinado objetivo. Na vida cristã é a mesma coisa. As limitações e o pecado impedem que sejamos perfeitos, mas é possível aprender a ser padrinho ou madrinha zeloso com o decorrer do tempo. Por isso a Igreja faz algumas exigências fundamentais para que o padrinho ou madrinha possam auxiliar o batizando que será iniciado na fé.

Orientações na escolha de padrinhos

Que sejam batizados, crismados e tenham feito a Primeira Comunhão
Que participem ativamente da vida da comunidade
Que tenham retidão na vida social, profissional e familiar e sejam coerentes com o Evangelho
Se casados, que seja pelo Sacramento do Matrimônio

As exigências feitas pela própria Igreja levam alguns pais a questionarem os padres nas paróquias. De acordo com o padre Aurélio, as pessoas falam que o papa descarta burocracias, que prega uma Igreja mais aberta. Ele explica, no entanto, que é preciso interpretar com discernimento as palavras de Francisco. “Precisamos discernir à luz do Espírito Santo o que o Santo Padre fala, independente das nossas conveniências pessoais; como eu disse, escolher padrinhos sem caminhada de Igreja é comprometer a formação cristã”.

Tira Dúvidas 

Padrinhos de Consagração

É de pouco ou vago conhecimento a figura dos padrinhos de consagração para os batizados. Muitas pessoas falam de padrinhos de segundo grau, de menos importância. Mas a verdade é que eles podem ser tão importantes quanto os padrinhos de Sacramento. Depende dos critérios adotados para a sua escolha. “Os padrinhos de consagração são pessoas que têm a fé mariana, que cultivam o mínimo de intimidade com Nossa Senhora; ao escolher esses padrinhos, os pais estão entregando o filho aos cuidados de Maria”, explica padre Aurélio.

Pastoral do Batismo


A reportagem do Encontro Semanal participou de um momento formativo para pais e padrinhos, promovido pela Pastoral do Batismo da Paróquia Sagrada Família, na Vila Canaã. Na ocasião, cerca de 160 pessoas, participaram do curso que tem duração de três horas. No encontro, dividido em dois momentos, a Pastoral trata dos seguintes temas: Querigma (primeiro anúncio); amor de Deus; história da salvação; redenção através de Jesus; inserção na comunidade; importância da figura dos pais e padrinhos para o batizado e, no segundo momento, os Sacramentos, de modo especial o Batismo. “Explicamos que os primeiros cristãos eram adultos e a primeira condição para serem batizados era ter fé; no caso da criança, ela não tem fé ainda, por isso os pais e padrinhos precisam ter uma experiência viva com Deus que os possibilitem conduzir os afilhados no mesmo caminho”, explicou o coordenador da Pastoral, Rodrigo Goes.

Fausto Pinto Magalhães, também membro da Pastoral, enfatizou que o curso a princípio, seria somente para os pais, mas a formação acabou se estendendo aos padrinhos também. “Os pais sempre escolhem os padrinhos com bastante antecedência; é um erro, pois muitos são escolhidos a partir de critérios pessoais pautados na amizade; quando fazem o curso, se dão conta de que aquele padrinho não é a melhor opção, já que a Igreja tem critérios bem definidos; no fim cabe aos pais decidirem se aquele padrinho ou madrinha tem condições de dar sequência à caminhada cristã dos filhos”, esclarece. A Igreja vê com bons olhos os afilhados que têm os mesmos padrinhos no Batismo e na Crisma. Mas isso é assunto para outra reportagem.

Instruções do Código de Direito Canônico sobre a escolha de padrinhos

Cabe aos padrinhos ajudar o batizado a levar uma vida de acordo com o Batismo e a cumprir as obrigações inerentes a ele.

Conforme o Cânon 873, admite-se apenas um padrinho ou uma só madrinha, ou também um padrinho e uma madrinha. O Cânon 874 e seus cinco artigos são muito importantes para entender as exigências da Igreja. Para assumir o encargo de padrinho é necessário ser designado pelo próprio batizando ou por seus pais; tenha completado 16 anos de idade; seja católico, crismado, já tenha recebido o santíssimo Sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé; não seja pai ou mãe do batizando; quem é batizado e pertence a uma comunidade eclesial não católica só seja admitido junto com um padrinho católico, e apenas como testemunha do Batismo.

Fotos: Caio Cézar



 “O poder espiritual dos Sacramentos é imenso”, segundo o papa Francisco. Cabe a nós conhecê-los para a melhor vivência da fé cristã. Nesta edição apresentamos alguns pontos importantes do Batismo, primeiro dos Sete Sacramentos, indispensável para responder à dimensão evangelizadora da Igreja.

Na edição do dia 8 de março, a capa do Encontro Semanal registrou que os Sacramentos são sinais visíveis da graça, base da vida cristã. Foram “instituídos pelo próprio Cristo, como sinal sensível para que através da graça recebida seja promovida a santificação do homem”. Nas palavras do papa Francisco, os Sacramentos são ainda “a manifestação da ternura e do amor do Pai por cada um de nós”.

Dando prosseguimento à série sobre os Sete Sacramentos, apresentamos a primeira de quatro reportagens sobre o Batismo, sempre com o objetivo de esclarecer tantas dúvidas que surgem no dia a dia da vida cristã.

Por que o Batismo é o primeiro dos Sete Sacramentos? Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), pela água as pessoas se tornam membros do Corpo de Cristo, Povo de Deus que é a Igreja. O CIC explica também que o ritual demonstra um rebaixamento humilde e de arrependimento, porque a pessoa desce à água com Jesus para subir novamente com ele, renascer da água e do Espírito para tornar-se, no Filho bem-amado do Pai e “viver em uma vida nova” (Rm 6,4).

O padre Luís González Quevedo Campo, SJ, 75 anos, explica por que o Batismo é porta de entrada para os demais Sacramentos. “Porque todos os Sacramentos supõem a fé e o Batismo é a primeira profissão de fé do adulto que se converte”.

Batismo de crianças

Mas por que a Igreja batiza crianças? A prática está registrada no Antigo Testamento; é uma tradição que se estende desde o século II. Na Igreja Apostólica, por exemplo, houve casos em que eram batizados todos os membros de uma família, sem excluir as crianças. “Um caso a se destacar é o de Lídia, comerciante de púrpura da cidade de Tiatira. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de São Paulo. E, ‘após ter sido batizada, assim como toda a sua casa’ (At 16,15) convidou o apóstolo a hospedar-se”, cita padre Quevedo. Ao longo do tempo, deu-se continuidade à tradição de batizar crianças na fé dos pais e da Igreja com o esclarecimento de que cabe a estes se comprometerem a educá-las na mesma fé.

É errado, porém, afirmar que a Igreja prioriza o batismo de crianças. O Batismo não deve ser tido como uma imposição. O padre Quevedo alerta que a Igreja prioriza a fé e oferece o batismo. “A Igreja dá prioridade à fé, como resposta ao anúncio do Reino”. Segundo ele, “por mandato de Jesus, a Igreja deve priorizar a evangelização”. Diferente do que se pensa, explica o jesuíta, “o rito do Batismo de crianças dirige-se, prioritariamente, aos pais e padrinhos, que são os que manifestam sua fé e se comprometem a educar as crianças na fé da Igreja”. É importante enfatizar ainda que o Batismo é um Sacramento, que deve ser realizado na paróquia ou comunidade católica, e não apenas se constituir em um evento social ou político.

Tira dúvidas 

A partir desta edição abrimos um espaço para perguntas e respostas sobre o Sacramento do Batismo. O leitor pode encaminhar suas dúvidas para o E-mail encontrosemanal@gmail.com ou deixar na recepção da Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Goiânia, na Rua 10, Setor Central, atrás da Catedral Nossa Senhora Auxiliadora. Desta vez fazemos o primeiro questionamento que é respondido pelo padre Luís Quevedo.

A Igreja pode em alguma situação negar o Sacramento do Batismo?


Sim, quando conste que o candidato ao Batismo, adulto, não está disposto a assumir a fé católica, mas pede o Batismo apenas para obter vantagens políticas ou econômicas. Também, quando os pais e o padrinho ou a madrinha da criança apresentada ao Batismo não garantem a educação da mesma na fé católica. Pastoralmente, porém, não é aconselhável ser excessivamente rígido neste ponto. É preferível correr o risco de batizar quem não tem condições do que correr o risco contrário (excluir quem tem condições).

Instruções do Código de Direito Canônico sobre o Batismo de crianças

Alguns requisitos essenciais para o conhecimento da comunidade cristã estão prescritos no Código de Direito Canônico, a respeito o Batismo. Por exemplo, de acordo com o Cânon 842, Inciso 1, “Quem não recebeu o batismo não pode ser admitido validamente aos outros Sacramentos”. O Inciso 2 dispõe que “os Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Santíssima Eucaristia acham-se de tal forma unidos entre si, que são indispensáveis para a plena iniciação cristã”. É considerado Batismo de crianças, ainda, canonicamente, o rito aplicado a crianças de até sete anos de idade. Aquelas que ultrapassaram essa idade são consideradas saídas da infância, conforme o Cânon 852. Se não foi batizada até os sete anos, por já possuir a razão formada, a Igreja orienta que a criança frequente os encontros de catequese para receber o Sacramento.